sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Profecia e Política

A escolha é, no mínimo, questionável, escreveu o Süddeutsche Zeitung (SZ). Obama representa a escolha, não de um Prêmio Nobel da Paz, mas de um Messias. Logo agora, depois desse sketch verdadeiro e constrangedor do Saturday Night Live?! Pois é, ah, pois é...
Obama, até agora, segundo o SNL, não fez muita coisa. Guantanamo Bay continua Guantanamo Bay. As eleições no Afeganistão foram um arremedo de democracia. O Iraque continua ocupado. O Irã continua com seu programa nuclear pacífico. As técnicas qualificadas de interrogatório continuam sendo utilizadas. A Coréia do Norte continua testando mísseis. O oriente médio continua lá. E Obama?! Ele não. Ele luta pela paz e, segundo o pessoal da Suécia, já chegou lá. Yes, he can! Além de já ter uma boa poupança advinda dos copyrights de suas duas autobiografias (escritas antes do 50!), agora ele conta com mais dez milhões de coroas suecas (o dinheiro mesmo, não as senhoras bem conservadas. Rá!) O SZ afirma que a escoolha de Obama para o Nobel da Paz indica uma opção messiânica do Comitê e não, como deveria ser, uma escolha baseada em atos e condutas concretas que favorecem - ou favoreceram - a paz ao redor do globo. Havia, segundo consta, outros 204 candidatos para receber a distinção. Obama, o escolhido, é o primeiro presidente americano a receber o prêmio quando ainda cumprindo o mandato. Bom pra ele! E pra nós?! Sinceramente acho que não muda rigorosamente nada. Aliás, quem ganhou mesmo ano passado?! Hmm... Claro, foi Martti Ahtisaari, finlandês, que muito ajudou em conflitos internacionais, informa-me a wikipedia. Há, claro, o famoso Nobel da Paz para Henry Kissinger e Le Cug Tho (que recusou), que, após levarem dois países a uma guerra de quase quinze anos, celebraram a paz em Paris. Sim, cria-se o problema e, voilà, é-se condecorado por acabar com o problema criado anteriormente. Vá lá, pelo menos a paz voltou. O grande problema, informa o jornal, é que "profecia é coisa da religião e não da política. Por isso o Prêmio Nobel a Barack Obama é ainda uma decisão difícil de compreender" continua o jornal. O jornal levanta a hipótese de ele não conseguir fazer nada de mais pela paz. E daí, o prêmio (e a grana) já é dele! O resto, agora, é profecia e esperança. Obama é o Nobel da Paz para o futuro. É isso. Ele levou o prêmio adiantado. Enquanto outros dedicaram suas vidas à paz, ele ainda tem tempo para fazê-lo. E agora com uma graninha a mais no bolso. A reportagem acaba assim: "Para o presidente o prêmio não fará muita diferença. E para o prêmio em si? Ele vai acabar degenerando em algo sem importância. Um evento no calendário anual dos profetas." Para o ano que vem, meu voto vai para o Inri Cristo! Meu Paaaaai!!! * Trilha sonora do post, como não poderia deixar de ser, aqui: uma mistura equilibrada entre Richard Wagner e o cheiro de napalm pela manhã. ** Já sei até como será o sorriso dele quando receber o prêmio...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Bêbado, não grite. Por favor!

Há dias as janelas da rua onde eu moro apareceram cobertas com lençóis e roupas de dormir. É uma forma de manifestação dos moradores: a barulheira dos bêbados está incomodando o sono alheio.

Como todos sabem, cada cidade tem o seu "bobódromo". Aquela rua onde todos vão para ver e serem vistos. Aqui, a rua mais movimentada da cidade durante a noite, que leva o sugestivo nome de Rua de Baixo, dista 50 metros da minha rua, a Rua dos Três Reis Magos (pois é...). Boa parte das pessoas que saem das festas passa por aqui no seu caminho pra casa. A conseqüência (como sempre!) é inevitável: necessidades fisiológicas (número 1, na maioria das vezes) por toda a rua, gritos, berros, conversas, garrafas quebradas no chão, mais gritos e, ontem, uma briga de namorados (ambos com ‘o’ no final). Enfim, confusão mais confusão.

Os moradores resolveram se unir e mostrar sua indignação pendurando lençóis com inscrições infames: “Barulho, urina e sujeira fora!”; “Nós precisamos de sono”; “O centro histórico está sem futuro”. O meu (querido e insubstituível) locatário resolveu, para desespero dos compositores, fazer um péssimo trocadilho com uma conhecida canção e escreveu: “Eu perdi meu sono em Heidelberg”*.

A conseqüência direta foi que a rua ficou mais feia. No lugar de prédios históricos bem conservados, agora, sou obrigado a olhar para lençóis velhos e camisolas ridículas. Há, inclusive, uma ceroula (sim, sim) pendurada.

A segunda conseqüência foi indireta: pense no que se precisa fazer para que um bêbado não grite? Ficar em silêncio e torcer para que ele não grite, certo?! Pois então. E o que fazer para ele começar a gritar como um alucinado? Acertou quem disse: “pendurar lençóis e camisolas pedindo silêncio!” Todos os bêbados que antes deixavam apenas as suas “marcas de urina”, agora resolvem desejar um “bom sonho” aos moradores que querem dormir. Ontem mesmo, depois de acordar no meio da noite, escuto um: “Durmam bem, moradores que não conseguem dormir” gritado a todo pulmão. Aquilo não era um desejo altruístico, era uma declaração de guerra! Claro, a ironia do bêbado (muito provavelmente não intencional!) é, para dizer o mínimo, s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l!!

Ironias e efeitos colaterais deixados de lado, hoje, quinta-feira, quero ver como será. Já estou com meus medos de que será mais uma noite com desejos de boa noite gritados à toda potência. Se for, tudo bem. Eu durmo mesmo assim. Fico com pena, mesmo, é das velhinhas que estão tendo que dormir sem as suas camisolas azul-bebê...

* A famosa canção diz: “Perdi meu coração em Heidelberg” e pode ser escutada, com fotos da cidade, aqui.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Lies, Lies, Lies, oh lies

Para relaxar...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quero ser proxeneta!

Um pouco de non sense português.
Quero ser cá em Coimbra, pra poder dormir na minha cama.
Se não acertei não conta. É como se não tivesse atirado nada. Não. O que conta é acertar, que aleija.

domingo, 4 de outubro de 2009

Gabriel Humbert Márquez

Depois que li isso aqui, me peguei pensando o que os diretores dessa ONG faria se vivesse ao tempo da publicação de Lolita. Imagine a cena: um sujeito, passado dos quarenta, casa com uma moça "só" por que ela tem um filhota de 12. A mulher morre, com a "ajuda" do sujeito e ele pega a moça e se vai, ficando cada vez mais, para usar um eufemismo, próximo dela. Dá mesada em troca de "favores" e, ato contínuo, rouba o dinehiro. Dolores é o nome da moçoila. Idade: 12 anos. Ficção?! Ficção. É a imaginação de um Nabokov derramada em papel. Sem a genialidade de um Nabokov, só me resta ficar cá imaginando como seria se essa ONG existisse ao tempo da publicação de Lolita.
A arte tem limites?! Obviamente que sim. Pode fazer apologia a alguma coisa ilícita?! Boa pergunta. Ninguém, à exceção de quem tem uma mente psicologicamente deturpada, vai sair a ter casos com meninas de 12 anos depois de ler Nabokov. Da mesma forma, nenhum velho de 90 anos vai sair a procurar prostitutas virgens (oxímoro?!) de 14 anos na selva colombiana...
A arte tem limites?! Obviamente que sim. Respeitar o sistema legal do país onde a obra for publicada é uma necessidade. Ah, é?! E "Versos Satânicos" não violou o sistema legal de vários países?! Claro que sim... Mas esse tipo de "violação da legislação" é o objetivo mesmo da arte. E é aqui que entra a sua real e promordial importância: ela é que a alavanca de contestação; ela que serve como motor de provocação; ela que define novos limites do permitido; é ela que faz uma sociedade dormente acordar; é ela, enfim, que rompe com o que está aí e tenta trazer algo novo para a mesa. Ao fazer isso, obviamente, abusos ocorrem. É do jogo e, diria até, são necessários. Os abusos têm de ser controlados, pelos meios institucionais adequados. Mas, tenho rigorosa, total e absoluta certeza que coibir eventuais abusos é muito, infinitamente, melhor do que ter que ouvir alguma ONG qualquer a dizer o que pode e o que não pode ser lido, publicado, escrito, esculpido, pintado... Enfim, um mundo com Lolita's, Memórias de minhas Putas Tristes, Casa dos Budas Ditosos, A Cor Púrpura, Carlos Zéfiro, Hustler's e Playboy's (a lista é longa...) é um mundo infinitamente melhor do que esse que a ONG quer nos enfiar goela abaixo.

sábado, 3 de outubro de 2009

Maldição Olímpica

Lembrei de um texto antigo, publicado na Folha Online, escrito pelo Hélio Schwartsman (recomendadíssimo!), sobre o Pan de 2007. Se trocarmos a palavra Pan (e seus correlatos) por Olimpíadas (e seus correlatos), temos um belo resumo:
Entregando o Ouro Hélio Schwartsman

Deus é testemunha de que não tenho nada contra o esporte. Além de matar e morrer pelo Corinthians, gosto de ver as atletas da ginástica olímpica se estatelando contra o solo e até dou minhas corridinhas. De vez em quando, encaro os 42 km de uma maratona. Não é, portanto, por sedentarismo militante que dedico esta coluna a vilipendiar o Pan.

Minha preocupação é principalmente de ordem econômica. Em 2002, quando da candidatura do Rio de Janeiro a sede dos jogos, o Comitê Olímpico Brasileiro estimou o total de gastos em R$ 414 milhões (valores já corrigidos pela inflação), a maior parte bancada pela prefeitura. Cerca de 20% dos recursos viriam da iniciativa privada. Ao fim e ao cabo, a brincadeira saiu por R$ 3,7 bilhões, mais da metade proveniente das burras federais. Praticamente nada veio de empresas particulares.

Tudo bem. Obtivemos 54 medalhas de ouro, nossa melhor participação em Pans e quase superamos os comunistas ateus caribenhos. Com todo respeito aos atletas que se esforçaram para conseguir suas auricomendas, R$ 69 milhões para cada medalha dourada parece-me um preço exagerado.

Se tudo não passasse de incompetência para planejar eu não estaria sendo tão severo com os organizadores torneio continental. O meu receio é justamente o de que esse pessoal seja muito competente numa outra modalidade, que não está catalogada no rol olímpico, mas no Código Penal. Como explicar, por exemplo, que a reforma do Maracanã, orçada em 2005 em R$ 75 milhões, tenha consumido R$ 294 milhões? É mais que o suficiente para erguer novos e moderníssimos estádios. O de Leipzig, usado na Copa da Alemanha de 2006, saiu por R$ 244 milhões. O de Seogwipo, na Coréia do Sul, edificado para a Copa de 2002, ficou em R$ 203 milhões.

Se essa dinheirama pelo menos revertesse em ganhos permanentes para a cidade do Rio de Janeiro, eu não estaria sendo tão ranzinza. Não é, infelizmente, o caso. Dessa novela toda, só o que deverá ficar são alguns novos equipamentos esportivos e a vila olímpica, que ninguém sabe exatamente para que servirá. R$ 3,7 bilhões é um preço extorsivo para tão pouco. E que não venham as autoridades alegar que foram surpreendidas pelo baixo retorno. Economistas já até criaram o termo "maldição olímpica" para referir-se às cidades que despendem rios de dinheiro para sediar megacompetições esportivas e depois ficam a ver navios.

Se as autoridades tivessem um mínimo de respeito pelo contribuinte estariam fazendo tudo para evitar que o Brasil venha a ser escolhido para sediar a Copa de 2014 ou os Jogos Olímpicos de 2016. Aí, os R$ 3,7 bilhões agora torrados virariam uma brincadeira de crianças. [os gastos estimados para o Rio 2016 são da ordem de trinta bilhões de reais! Coloca mais os 25% da Lei de Licitações e bola pra frente...]

E, já que estou embalado nas críticas ao Pan, examinemos outros aspectos negativos do evento. Incomoda-me sobremaneira os incontidos brios nacionalistas que os jogos despertaram. Não estou, evidentemente, sugerindo que deveríamos torcer pela Argentina quando ela enfrenta o Brasil. Mas há uma diferença entre incentivar de forma saudável equipes e atletas do país e vaiar os competidores estrangeiros, o que viola o chamado espírito olímpico além de todas as regras da hospitalidade e da boa educação. A única vantagem desse comportamento é que ele torna mais remota a possibilidade de que o Rio de Janeiro venha um dia a sediar Jogos Olímpicos, pelo que os cofres públicos agradecem.

(...)

Pensando melhor, talvez o problema não esteja nos gastos absurdos e totalmente fora do planejamento, nem na imbecilidade do nacionalismo e nem mesmo nas regras sem pé nem cabeça do COI. Quanto mais escrevo, mais me convenço de que o problema sou eu. Já deveria ter aprendido que é bobagem cobrar racionalidade do ser humano.

A África do Sul como metáfora do Brasil

Depois de saber que os investimentos para a Olimpíada do Rio seriam da ordem de quase R$30.000.000.000 (trinta bilhões de reais), segui o conselho daquele hit, joguei no Google as palavras "corrupção" + Africa do Sul + Copa + 2010 e, como suspeitava, pimba! Uma delas: "O presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2010, Danny Jordaan, admitiu hoje que os gastos para organizar o evento serão maiores do que o previsto inicialmente. A conta, que será integralmente paga pelo governo da África do Sul..." A mesma pesquisa em inglês, traz quase 10 vezes (!) mais resultados O primeiro: "South Africa's 2010 World Cup soccer tournament is a prime target for corruption..." Pensei em pesquisar nas outras dez línguas oficiais do país, mas o meu SeSotho do Norte está um pouco enferrujado. e os resultados em ShiTsonga estavam um pouco confusos. Claro que o Brasil não é a África do Sul, mas, aposto o meu holerite todinho que, em aproximadamente uns 5 anos, as mesmas reportagens serão encontradas com estes termos aqui: Rio + Olimpíadas + 2016 + corrupção. Como diria aquele famoso apresentador: quem quer (perder) dinheiro?!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Leave the gun, take the cannoli

Como o pós-operatório consistia, basicamente, em ficar deitado, pude fazer uma coisa que, há anos, quiça décadas, eu ansiava por fazer: assistir ao The Godfather. Sim, a trilogia completa. Sim, quase 10 horas de filme. Sim, vale a pena*. Vale muito a pena!**
* No Poderoso Chefão II, a única coisa, digamos, complicada (na falta de melhor palavra) é a absoluta glorificação da revolução de 1959 e a caracterização da ilha como um enorme, gigantesco mesmo, prostíbulo e antro de corrupção antes de Sierra Maestra. Hollywood, 1974: As circunstâncias históricas explicam. ** Na última parte da trilogia, o que chama atenção é imagem de ua Igreja Católica corrupta e materialista. Como dizia um professor amigo meu, "bater na Igreja é fácil". A crítica é válida, o problema é o exagero...

Es ist Deutschland hier

Dias atrás o chefe do partido que mais cresceu nas últimas eleições alemãs, - o sugestivo FDP, no meio de uma entrevista coletiva, ao ser perguntado, por um repórter da BBC de Londres, se a pergunta e a resposta poderiam ser em inglês, respondeu, com uma cara não muito amistosa: "aqui é Alemanha". Confira comigo no replay:
Duas reações ocorreram: a primeira dos, digamos, puristas da língua, que ovacionaram a reação do político, ao frisar que, "como na Inglaterra é necessário falar inglês, na Alemanha é necessário que se fale alemão." Do outro lado estão aqueles que o criticaram, por um motivo em especial. O senhor, que não quis "falar inglês em público" está cotado para ser o próximo ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Diante disso, argumentam os críticos, falar inglês é uma necessidade. E, ele como cotado ao cargo, deveria ter esbanjado fluência para comprovar a capacidade. Eu?! Pra mim tanto faz... Mas, confesso, dá gosto de ver alguém dizendo que é necessário falar alemão na Alemanha. Explico-me: longe de mim de pregar aquele anti-americanismo (ou anti-anglicismo) bobo, de que os EUA são o demônio do mundo e que tudo de ruim tem início com pessoas que falam inglês por língua-mãe, como bem dissecou o Revel no Obsessão Antiamericana. Mas, dias atrás, ao ir no Starbucks (imperialismo cultural? Not!!) comprar um café, um americano xingou até a mãe da atendente pelo simples motivo de que ela, "mesmo trabalhando numa empresa americana, não entendia um simples pedido". E, bufando, saiu chutando a porta e gritando: "Biátch"! (Fato curioso: rapper ele não era. Aliás, era mais branco que o Eminem e eu juntos. O "biátch", acredito, era uma licença poética para não causar problemas...) Se a menina tivesse presença de espírito, deveria ter respondido: "Es ist Deutschland hier". E, claro, que o Starbucks é uma franquia.

Tough call

O que é melhor: usar um biquini minúsculo de uma marca desconhecida, comprado na 25 de Março por R$4,99, ou uma burqa da Gucci?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

60 days later...

Há exatos sessenta dias fui submetido a um procedimento cirúrgico. O que eu tinha e o que foi retirado (opa!) pouco importa. Importa foi a dor que eu senti. Importa foi sentir esta dor sozinho. Aliás, sentir qualquer dor é muito ruim. Sentir dor sem ninguém conhecido por perto para ajudar é pior ainda. Há exatos sessenta e seis dias que não fazia qualquer forma de atividade física. Acrescente-se os seis dias que eu fiquei acamado, com a dor que levou, ao fim e ao cabo, a necessidade da cirurgia.
Hoje, portanto, é um dia feliz. Seguindo os conselhos médicos, esperei exatos sessenta dias a contar da cirurgia e, lesto, lépido e faceiro, fui dar uma caminhada. Comecei, como parece óbvio, muito devagar. Menos de meia hora no ritmo de um infante de menos de 1 metro. I didn't even break a sweat, como diria o bardo. "Pouco se me dá", conclui com Ruy na cabeça. A mera possibilidade de poder desempenhar atividades corriqueiras, como uma simples caminhada na beira do rio, já me deixa menos insatisfeito do que eu estava. Agora, é claro, só me resta torcer para que as minhas costas aguentem o tranco mais uns dois ou três anos, para que quando - e se - eu sentir dor novamente , já esteja de volta à pátria amada Brasil, tã, tã, tã, tããããã.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Aqui no povo é diferente e me falta o que eu lá tinha

Hoje, relendo o que eu escrevi ontem, lembrei de uma música que se adapta ao que passei antes de vir. Um Pito (Wilson Paim) Olha guri, reparas o que estás fazendo, depois que fores é difícil de voltar. Passei-te um pito e continuas remoendo teu sonho moço deste rancho abandonar. Olha guri, lá no povo é diferente, e certamente faltará o que tens aqui. Eu só te peço: não esqueças de tua gente, de vez em quando manda uma carta, guri. Se vais embora, por favor não te detenhas; segue em frente não olhes para trás e assim não vais ver a lágrima insistente que molha o rosto do teu velho, meu rapaz. Olha guri, pra tua mãe cabelos brancos e este velho que te fala sem gritar. Pesa teus planos, eu quero que sejas brando; se acaso fores pega o zaino para enfrenar. Olha guri, leva uns cobres de reserva; pega uma erva pra cevar teu chimarrão e leva um charque que é pra ver se tu conservas uma pontinha de amor por este chão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Mas não basta pra ser livre

Há mais de uma década participei de um desfile de 20 de Setembro. Encilhei meu pingo, como se deve dizer, dei um gole na canha e fomos para o centro da cidade. Atravessei a avenida Brasil, ao som do, nascido e criado em Passo Fundo, Teixeirinha e do Canto Alegretense. Cumprimentei as autoridades e mandei acenos ao transeuntes. Tudo muito divertido, tudo muito bonito. Alguns meses depois daquele desfile virei, nas palavras do meu querido irmão, um guri de apartamento, criado no carpete. Nunca mais andei a cavalo e, por consequência, nunca mais fui tão chegado nas comemorações do 20 de Setembro. Há anos, também, que não tenho uma bombacha de verdade. Antes de vir, encontrei meu irmão (o mesmo ali de cima!) com uma bonita bombacha "uruguaia", sem tantos detalhes e não tão grande quanto a bombacha gaúcha (como a acima na foto). No mesmo momento, fui ao estabelecimento comercial e comprei uma igual. Hoje, Vinte de Setembro, vesti minha bombacha (pouco me importa se é uruguaia), cevei um mate e coloquei um disco do César Oliveira e Rogério Melo e me deliciei com o fato de ser gaúcho.
Trilha sonora do post: aqui, aqui, aqui e, claro, aqui.

Tentando...

...voltar ao ritmo normal.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O céu vermelho e o fogo frio

Todos conhecem a boutade do Groucho Marx que, após ser aceito como membro de um determinado clube, mandou uma carta pedindo para se retirar pois não gostaria de pertencer a um clube que o aceitasse como membro. Essa é a minha singela opinião sobre o blog da Petrobras. Se eu posso escrever qualquer barbaridade (como o título acima), por que razão não poderia também a 'maior empresa da américa latina'?!