sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Profecia e Política
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Bêbado, não grite. Por favor!
Como todos sabem, cada cidade tem o seu "bobódromo". Aquela rua onde todos vão para ver e serem vistos. Aqui, a rua mais movimentada da cidade durante a noite, que leva o sugestivo nome de Rua de Baixo, dista 50 metros da minha rua, a Rua dos Três Reis Magos (pois é...). Boa parte das pessoas que saem das festas passa por aqui no seu caminho pra casa. A conseqüência (como sempre!) é inevitável: necessidades fisiológicas (número 1, na maioria das vezes) por toda a rua, gritos, berros, conversas, garrafas quebradas no chão, mais gritos e, ontem, uma briga de namorados (ambos com ‘o’ no final). Enfim, confusão mais confusão.
Os moradores resolveram se unir e mostrar sua indignação pendurando lençóis com inscrições infames: “Barulho, urina e sujeira fora!”; “Nós precisamos de sono”; “O centro histórico está sem futuro”. O meu (querido e insubstituível) locatário resolveu, para desespero dos compositores, fazer um péssimo trocadilho com uma conhecida canção e escreveu: “Eu perdi meu sono em Heidelberg”*.
A conseqüência direta foi que a rua ficou mais feia. No lugar de prédios históricos bem conservados, agora, sou obrigado a olhar para lençóis velhos e camisolas ridículas. Há, inclusive, uma ceroula (sim, sim) pendurada.
A segunda conseqüência foi indireta: pense no que se precisa fazer para que um bêbado não grite? Ficar em silêncio e torcer para que ele não grite, certo?! Pois então. E o que fazer para ele começar a gritar como um alucinado? Acertou quem disse: “pendurar lençóis e camisolas pedindo silêncio!” Todos os bêbados que antes deixavam apenas as suas “marcas de urina”, agora resolvem desejar um “bom sonho” aos moradores que querem dormir. Ontem mesmo, depois de acordar no meio da noite, escuto um: “Durmam bem, moradores que não conseguem dormir” gritado a todo pulmão. Aquilo não era um desejo altruístico, era uma declaração de guerra! Claro, a ironia do bêbado (muito provavelmente não intencional!) é, para dizer o mínimo, s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l!!
Ironias e efeitos colaterais deixados de lado, hoje, quinta-feira, quero ver como será. Já estou com meus medos de que será mais uma noite com desejos de boa noite gritados à toda potência. Se for, tudo bem. Eu durmo mesmo assim. Fico com pena, mesmo, é das velhinhas que estão tendo que dormir sem as suas camisolas azul-bebê...
* A famosa canção diz: “Perdi meu coração em Heidelberg” e pode ser escutada, com fotos da cidade, aqui.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Quero ser proxeneta!
domingo, 4 de outubro de 2009
Gabriel Humbert Márquez
sábado, 3 de outubro de 2009
Maldição Olímpica
Deus é testemunha de que não tenho nada contra o esporte. Além de matar e morrer pelo Corinthians, gosto de ver as atletas da ginástica olímpica se estatelando contra o solo e até dou minhas corridinhas. De vez em quando, encaro os 42 km de uma maratona. Não é, portanto, por sedentarismo militante que dedico esta coluna a vilipendiar o Pan.
Minha preocupação é principalmente de ordem econômica. Em 2002, quando da candidatura do Rio de Janeiro a sede dos jogos, o Comitê Olímpico Brasileiro estimou o total de gastos em R$ 414 milhões (valores já corrigidos pela inflação), a maior parte bancada pela prefeitura. Cerca de 20% dos recursos viriam da iniciativa privada. Ao fim e ao cabo, a brincadeira saiu por R$ 3,7 bilhões, mais da metade proveniente das burras federais. Praticamente nada veio de empresas particulares.
Tudo bem. Obtivemos 54 medalhas de ouro, nossa melhor participação em Pans e quase superamos os comunistas ateus caribenhos. Com todo respeito aos atletas que se esforçaram para conseguir suas auricomendas, R$ 69 milhões para cada medalha dourada parece-me um preço exagerado.
Se tudo não passasse de incompetência para planejar eu não estaria sendo tão severo com os organizadores torneio continental. O meu receio é justamente o de que esse pessoal seja muito competente numa outra modalidade, que não está catalogada no rol olímpico, mas no Código Penal. Como explicar, por exemplo, que a reforma do Maracanã, orçada em 2005 em R$ 75 milhões, tenha consumido R$ 294 milhões? É mais que o suficiente para erguer novos e moderníssimos estádios. O de Leipzig, usado na Copa da Alemanha de 2006, saiu por R$ 244 milhões. O de Seogwipo, na Coréia do Sul, edificado para a Copa de 2002, ficou em R$ 203 milhões.
Se essa dinheirama pelo menos revertesse em ganhos permanentes para a cidade do Rio de Janeiro, eu não estaria sendo tão ranzinza. Não é, infelizmente, o caso. Dessa novela toda, só o que deverá ficar são alguns novos equipamentos esportivos e a vila olímpica, que ninguém sabe exatamente para que servirá. R$ 3,7 bilhões é um preço extorsivo para tão pouco. E que não venham as autoridades alegar que foram surpreendidas pelo baixo retorno. Economistas já até criaram o termo "maldição olímpica" para referir-se às cidades que despendem rios de dinheiro para sediar megacompetições esportivas e depois ficam a ver navios.
Se as autoridades tivessem um mínimo de respeito pelo contribuinte estariam fazendo tudo para evitar que o Brasil venha a ser escolhido para sediar a Copa de 2014 ou os Jogos Olímpicos de 2016. Aí, os R$ 3,7 bilhões agora torrados virariam uma brincadeira de crianças. [os gastos estimados para o Rio 2016 são da ordem de trinta bilhões de reais! Coloca mais os 25% da Lei de Licitações e bola pra frente...]
E, já que estou embalado nas críticas ao Pan, examinemos outros aspectos negativos do evento. Incomoda-me sobremaneira os incontidos brios nacionalistas que os jogos despertaram. Não estou, evidentemente, sugerindo que deveríamos torcer pela Argentina quando ela enfrenta o Brasil. Mas há uma diferença entre incentivar de forma saudável equipes e atletas do país e vaiar os competidores estrangeiros, o que viola o chamado espírito olímpico além de todas as regras da hospitalidade e da boa educação. A única vantagem desse comportamento é que ele torna mais remota a possibilidade de que o Rio de Janeiro venha um dia a sediar Jogos Olímpicos, pelo que os cofres públicos agradecem.
(...)
A África do Sul como metáfora do Brasil
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Leave the gun, take the cannoli
* No Poderoso Chefão II, a única coisa, digamos, complicada (na falta de melhor palavra) é a absoluta glorificação da revolução de 1959 e a caracterização da ilha como um enorme, gigantesco mesmo, prostíbulo e antro de corrupção antes de Sierra Maestra. Hollywood, 1974: As circunstâncias históricas explicam.
** Na última parte da trilogia, o que chama atenção é imagem de ua Igreja Católica corrupta e materialista. Como dizia um professor amigo meu, "bater na Igreja é fácil". A crítica é válida, o problema é o exagero...
Es ist Deutschland hier
Tough call
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
60 days later...
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Aqui no povo é diferente e me falta o que eu lá tinha
domingo, 20 de setembro de 2009
Mas não basta pra ser livre
Há mais de uma década participei de um desfile de 20 de Setembro. Encilhei meu pingo, como se deve dizer, dei um gole na canha e fomos para o centro da cidade. Atravessei a avenida Brasil, ao som do, nascido e criado em Passo Fundo, Teixeirinha e do Canto Alegretense. Cumprimentei as autoridades e mandei acenos ao transeuntes. Tudo muito divertido, tudo muito bonito. Alguns meses depois daquele desfile virei, nas palavras do meu querido irmão, um guri de apartamento, criado no carpete. Nunca mais andei a cavalo e, por consequência, nunca mais fui tão chegado nas comemorações do 20 de Setembro.
Há anos, também, que não tenho uma bombacha de verdade. Antes de vir, encontrei meu irmão (o mesmo ali de cima!) com uma bonita bombacha "uruguaia", sem tantos detalhes e não tão grande quanto a bombacha gaúcha (como a acima na foto).
No mesmo momento, fui ao estabelecimento comercial e comprei uma igual. Hoje, Vinte de Setembro, vesti minha bombacha (pouco me importa se é uruguaia), cevei um mate e coloquei um disco do César Oliveira e Rogério Melo e me deliciei com o fato de ser gaúcho.

