sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

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Parece mentira, mas o Sueddeutsche publica matéria sobre um funcionário público que foi exonerado um função do seu mau cheiro. Está aqui. O arquiteto de 50 anos ainda estava em período probatório, mas, assim mesmo, foi demitido, segundo o ato oficial, em função “do descuido da aparência, o forte cheiro de suor e mãos sujas”.

Segundo o jornal, seus colegas fizeram um abaixo-assinado afirmando que o homem “nao fedia”. Nada obstante o mérito, ser demitido pelo cheiro é uma coisa que levaria, pelo menos no meu tempo de colégio, à demissão de um diretor que eu conheci. O sujeito fumava como uma chaminé e, pra piorar, gostava de uma branquinha.

Era batata: conversava em aula e era mandado para a direção pelas professoras. Às oito e quinze da manhã chegava eu na sala do diretor, ele já no 45° cigarro do dia e com aquele odor característico da canha.  

A conversa era sempre das mais agradáveis, por motivos óbvios, e com um sorriso no rosto, dizia ele: “Pedrinho, pode conversar, mas conversa baixinho”. E lá ia ele acender outro cigarro no que estava quase chegando ao filtro. O diretor foi, após algum tempo, substituído e, ao que tudo indica, hoje já não está mais entre nós. De qualquer forma, se houvesse os rígidos critérios da prefeitura de Colônia à época, garanto que ele seria demitido no segundo, terceiro dia de trabalho.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Epifania

Gotthold Lessing, no livro Nathan, der Weise, conta uma história significativa:

Certo dia, o sultão Saladin perguntou ao rabino Melquisedech qual das três religiões monoteístas ele considerava ser a verdadeira? O judeu respondeu na forma de uma parábola.

Um homem muito rico tinha, entre as todas as jóias preciosas do seu tesouro, um anel muito valioso. Queria, por isso, que ficasse sempre na posse de um dos seus filhos, sendo sempre o mais bondoso o escolhido. E esse deveria ser respeitado pelos outros, por ser o melhor dentre eles. Assim aconteceu, sendo o anel passado de pai para filho, ao longo de gerações. Até que chegou a um que tinha três filhos; todos igualmente bons, virtuosos e obedientes ao pai, que não conseguia distinguir o amor entre dos filhos. Os três desejavam e esperavam ser o herdeiro do anel. E, em segredo, cada um pedia o presente ao pai. Como o velho amava a todos, não sabia a qual filho deveria deixar o anel. Secretamente, procurou o melhor ourives do reino e pediu para fazer mais dois anéis tão semelhantes ao verdadeiro que não fosse possível dizer qual era o verdadeiro e qual eram os falsos.  

Pressentindo a morte, o homem rico entregou, secretamente, um anel a cada filho, com obrigação de guardar sigilo até ele morrer. Depois do último suspiro, cada um dos filhos demandou a herança, para receber também a honra por ser o melhor, uma vez que cada um deles acreditava possuir o anel valioso. Ao abrirem a herança os três exibiram cada um o seu anel e, de tão iguais, não era possível saber qual era o verdadeiro.  

Ao final, o rabino Melquisedech respondeu a Saladin: as três religiões dadas por Deus aos três povos assemelham-se aos anéis. Cada um dos povos crê possuir a verdadeira religião e cumpre os seus mandamentos.

PS - Como moro na "Rua dos Três Reis Magos" achei que a história se encaixava na data. 

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Update:

Minha queridíssima mãe me envia uma versão feminina do Nascimento:

“Não me façam rir, eu conheço a Maria desde a faculdade!”

Monóculo

“Não há em mim infelizmente (escrevia ele a Oliveira Martins, em 1882) nem um sábio, nem um filósofo. Quero dizer não sou um desses homens seguros e úteis, destinados por temperamento às análises secundárias que se chamam Ciências, e que consistem em reduzir uma multidão de factos esparsos a tipos e leis particulares, por onde se explicam modalidades do Universo; nem sou também um desses homens, fascinantes e poucos seguros, destinados por génio às análises superiores que se chamam Filosofias, e que consistem em reduzir essas leis e esses tipos a uma fórmula geral, por onde se explica a essência mesma do inteiro Universo. Não sendo pois um sábio, nem um filósofo, não posso concorrer para o melhoramento dos meus semelhantes – nem acrescendo-lhes o bem-estar por meio da Ciência, que é uma produtora de riqueza, nem elevando-lhes o bem-sentir por meio da Metafísica, que é uma inspiradora de poesia. A entrada na história também se me conserva vedada: - porque, se, para se produzir literatura basta possuir talentos, para tentar a história convém possuir virtudes. E eu!... Só portanto me resta ser, através das ideias e dos factos, um homem que passa, infinitamente curioso e atento. A egoísta ocupação do meu espírito hoje, caro historiador, consiste em me acercar de uma ideia ou de um facto, deslizar suavemente para dentro, percorrê-lo miudamente, explorar-lhe o inédito, gozar todas as surpresas e emoções intelectuais que ele possa dar , recolher com cuidado o ensino ou a parcela de verdade que exista nos seus refolhos – e sair, passar a outro facto ou a outra ideia, com vagar e com paz, como se percorresse uma a uma as cidades de um país de arte e luxo. Assim visitei outrora a Itália, elevado no esplendor das cores e das formas. Temporal e espiritualmente fiquei simplesmente um touriste.”

Eça de Queiroz, A Correspondência de Fradique Mendes.  

Chego ontem de viagem, bastante cansado, e um pacote me surpreende. Era um envio especial do meu amigo Marcelo (que deve estar extremamente satisfeito com essa notícia) que atualmente passa a sua Temporada Portuguesa.

Um brinde à amizade!  

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Frase da semana

"Se você regalar sua esposa com um caríssimo jantar no melhor restaurante da cidade na expectativa de conseguir uma noite de enlevos lúbricos, será descrito como um romântico incorrigível. Mas, se preferir simplificar as coisas e oferecer-lhe uma soma em moeda corrente para o mesmíssimo fim, só o que conseguirá é o divórcio e a reprovação de todos os seus familiares e amigos." Da coluna do (sempre) recomendado Hélio Schwartsman.

sábado, 7 de novembro de 2009

Expor e ser exposto

A história é antiga. O representante de um partido com posições extremas, nesse caso à direita, é convidado a participar de um programa de televisão para expor as suas idéias e, como sói, ser exposto ao rídiculo.

Com Nick Griffin não foi diferente. Aliás, com ele a segunda parte da afirmação acima foi cabalmente comprovada. Eleé o presidente do BNP (British National Party) e foi convidado a um dos talkshows mais importantes da BBC. Ombrando com ele, outros representantes de partidos políticos e uma escritora negra americana.


Do início ao fim foi um baile. Literalmente.


O sujeito começou afirmando que, se vivo, Winston Churchill faria parte do seu partido, dadas as suas convicções políticas e ideológicas. Foi confrontado com várias citações do bom e velho Churchill que o desmentiam. Confrontado com as suas próprias declarações, vergonhosamente saia pela tangente dizendo que aquilo havia sido adulterado pelo entrevistador. Confrontado por um negro, sobre as infinitas contribuições dos negros ao Reino Unido, aí incluídas todas as guerras nas quais ele foram obrigados a participar para defender a rainha, mais hesitação, mais contradições e, claro, mais um sorriso amarelo. A história se repetiu com os árabes da platéia. E com qualquer outra minoria que o partido do sujeito quer que volte ao seu país de origem. Na parte mais triste do combate, o sr. Nick Griffin, após ser confrontado por um judeu sobre as suas afirmações negando a Shoah, disse que havia mudado de idéia quanto aquilo. Mas não sabia dizer em que extensão e, pior, por quais razões. Ficou lá, com um sorriso amarelo, gaguejando, tentando desdizer o que havia dito, sem convicção alguma. Triste e patético, mas inexorável para qualquer pessoa que defende posições fundamentalistas desse gênero.



A única vez que a possibilidade de diálogo (sim, em termos bem amplos, eu sei) foi fechada foi quando ele foi confrontado pelo fato de ter relações com um dos cabeças de uma famosa organização racista americana. Ele argumentou que esse sujeito fazia parte de uma facção não violenta, que não queimava cruzes. A professora americana simplesmente disse que aquele era um terreno que ele não poderia pisar. E encerrou a discussão por ali. Por quê?!


Após o "debate", o sujeito gravou uma declaração choramingando, dizendo que tinha sido alvo de uma lynch mob e que recorreria a BBC para ter seu direito de resposta (?). Enfim, depois de ser exposto ao maior ridículo de sua vida, por sua própria culpa e sua inabilidade política-argumentativa, ele foi chorar num cantinho...


Qualquer tentativa de se proibir um sujeito desses de ir a um programa de televisão é contraproducente. Quando confrontados com as próprias barbaridades, somente um absoluto demente permanece impávido e mantem o que disse. Negar o Holocausto perante um menino que perdeu o avô é muito difícil, quase impossível, na hipótese de não se ser um sociopata.


E foi exatamente isso que aconteceu.
Idéia após idéia, uma pior que a outra, o Sr. Nick Griffin foi exposto ao ridículo das suas opiniões, ao vazio dos seus argumentos e, claro, a demência de se sequer pensar em defender qualquer uma daquelas posições. Uma entrevista dessas traz mais benefícios ao pessoal que expõe ao ridículo as posições defendias por estes extremistas do que qualquer proibição para que eles se manifestem.


Como refere o colunista do Die Zeit, num interessante artigo intitulado "Deve-se conversar com facistas?", seria um flagrante caso de censura caso fosse negada a possibilidade, do representante eleito de um partido, simplesmente porque suas idéias não são politicamente corretas. De fato, a liberdade de expressão deve ser garantida ao máximo. Sempre. Se o sujeito cometer algum tipo de crime no exercício dessa liberdade, que seja punido (severamente ou não) de acordo com os rigores da lei. Mas, aqui o ponto, sempre, ex post facto. Determinar antes do discurso o que pode ser dito em função da "political correctness" do conteúdo nada mais é do que censura. Países com tradição democrática centenária, como a Inglaterra, entendem isso. E é por essa razão que a BBC o convidou e, segundo consta, continará convidando, dado o súbito aumento dos índices de audiência.

Quem não entende isso é a multidão tosca e bovina que quis, por meio da violência, impedir o sujeito de entrar nos estúdios da BBC. Segundo algumas declarações, ele fazia apologia ao nazismo e, pior, era porta-voz de um hate speech (o conceito mais indeterminado que eu conheço!). Um chegou a afirmar que a BBC, dando voz e espaço ao sujeito, cometeria ela mesma (?) racism.

A resposta aos apelos da massa é apenas uma: não! E, claro, uma vez mais, não! A liberdade de expressão deve ser garantida a todos, independentemente de suas convicções e ideologia. Negar isso é negar a própria essência do Estado de direito que, felizmente, clama por essa pluralidade. Negar isso, aqui o ponto, é censurar previamente o que pode e o que não pode ser dito e sequer pensado. E, claro, quando é o guarda da esquina que decide isso, o buraco é bem mais embaixo...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

So easy

Recebo a Newsletter do DAAD:

"Bolsa de pós-graduação em Berlim em novela da Globo

Entre uma bolsa de estudos na Alemanha e um pedido de casamento, com qual você ficaria? A personagem Tônia, interpretada por Marjorie Estiano, passou por esse dilema nos últimos capítulos da novela “Caminho das Índias”, de Glória Perez, na Rede Globo. A estudante de medicina recebeu a notícia de que ganhou uma bolsa de pós-graduação na Alemanha alguns dias depois de o namorado, o esquizofrênico Tarso (Bruno Gagliasso), a pedir em casamento. Em novela, o amor costuma ganhar todas. Já a caminho do aeroporto, a nova bolsista pede para o motorista do táxi parar e corre para os braços do amado. Na vida real, são raríssimos os selecionados que desistem de uma bolsa para estudar na Alemanha."
Além de namorar um esquizofrênico(?!), ela é bobinha. Se tivesse casado com o maluquinho, poderia vir e ainda ganharia mais uns 300 euros de auxílio-cônjuge.
O amor - e ela - sairiam ganhando.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dois mil e nove anos

Nas primeiras discussões da faculdade, especialmente as que envolviam direito penal, sempre surgia a fatídica pergunta:
"E se alguem estuprasse a tua filha de cinco anos, hein? O que tu faria?"
Como bom cínico, sempre respondia que os direitos fundamentais deveriam ser observados, independentemente da situação. E, claro, dizia que o pai da infante estuprada não era o sujeito mais indicado a dar palpites sobre a pena do estuprador.
Parece que na terra do Mustafá, meu amigo, as coisas são um pouco diferentes. A pena lá, pelo visto, continua a mesma há dois mil e nove anos, quando surgiu o maior mártir da civilização.
E aí, Mustafá, e se alguém estuprasse a tua filha de cinco anos, o que tu faria, hein?! Resposta hipotética, porém extremamente provável: dura lex sed lex, caro Pedrinho. Mandaria aplicar a lei que manda decapitar e crucificar estrupadores... E dá-lhe relativismo cultural neles!

Click

Toby era feliz. E sabia.
Todos os dias ele seguia a mesma rotina. Acordava cedo, com os primeiros raios de sol. Caso estivesse nublado, dormia até mais tarde. Ele podia se dar esses pequenos prazeres. Haveria comida, mesmo que acordasse mais tarde. Logo após acordar, descia ao primeiro andar e começava sua busca incessante por comida. Sim, Toby era um morte de fome. Ele, há tempos, sucumbira ao pecado da gula. Mas o que podia ele fazer se tudo que ele encontrava lhe parecia tão apetitoso?! Nada, respondia a si mesmo. Aqueles dias solitários estavam sendo repletos de banquetes.
Mesmo embaixo de chuva, comida não faltava a Toby! A única coisa que lhe incomodava era aquela dúvida que persistia. Olhando pela janela, Toby conseguia ver seres estranhos, todos sentados, um a frente do outro, olhando para papéis, todos muito compenetrados, sem conversar entre si.
-Quem dera tivesse eu um companheiro aqui ao meu lado!, pensava Toby.
No verão a vida solitária não era tão ruim. Com o inverno se aproximando, uma companhia não faria mal, refletia Toby. Independentemente do que Toby pensava, aqueles seres estranhos continuavam ali, sentados, em silêncio, sem conversar entre si.
Hoje, infelizmente, havia amanhecido chovendo. Como Toby não havia conseguido se proteger das gotas que caiam do céu, acordou cedo. Continuou sua busca diária para satisfazer seu irrefreável apetite.
- De hoje não passa, decidiu Toby. Hoje eu vou chegar perto dessas criaturas estranhas, ultimou um decidido Toby.
Escolheu, escolheu e não conseguia se decidir. Todos olhavam para baixo e pareciam, de alguma forma, frustados com a vida. Toby chegou a conclusão de que todos aqueles seres estavam passando fome. Essa era a única explicação para que eles não conversassem entre si e, claro, não sorrissem uns para os outros. Continuou naquela indecisão por horas. Olhava para todos eles e não conseguia decidir com qual deles deveria fazer o contato inicial.
De repente, um deles começou a olhar para o lado e sorrir!
- É o sinal, pensou Toby. Hoje farei amizade com um desses estranhos!
Toby foi se aproximando, pensando no que dizer, no que falar primeiro, ou mesmo se deveria ser o primeiro a falar. Quando finalmente decidiu tomar a iniciativa, aquele ser estranho puxou um aparelinho ainda mais estranho e click...
(Na foto, Toby, meu fiel companheiro de biblioteca, sempre no entorno da nogueira do pátio)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Noites Insones...

Não durmo, nem espero dormir. Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insônia da largura dos astros, E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite, Não posso escrever quando acordo de noite, Não posso pensar quando acordo de noite — Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo, E o meu sentimento é um pensamento vazio. Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam — Todas aquelas de que me arrependo e me culpo; Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam — Todas aquelas de que me arrependo e me culpo; Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada, E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro. Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo. Lá fora há o silêncio dessa coisa toda. Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer, Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos — Versos a dizer que não tenho nada que dizer, Versos a teimar em dizer isso, Versos, versos, versos, versos, versos... Tantos versos... E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir. Sou uma sensação sem pessoa correspondente, Uma abstração de autoconsciência sem de quê, Salvo o necessário para sentir consciência, Salvo — sei lá salvo o quê...

Não durmo. Não durmo. Não durmo. Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma! Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto... Vem... Vem, inutilmente, Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta... Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste, Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança, Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança. O meu cansaço entra pelo colchão dentro. Doem-me as costas de não estar deitado de lado. Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado. Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei. Não tenho energia para estender uma mão para o relógio, Não tenho energia para nada, para mais nada... Só para estes versos, escritos no dia seguinte. Sim, escritos no dia seguinte. Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora. Paz em toda a Natureza. A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras. Exatamente. A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras. Costuma dizer-se isto. A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece, Mas mesmo acordada a Humanidade esquece. Exatamente. Mas não durmo.

Alvaro de Campos (F.P.)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A hard working...

... bon vivant.
O amor só é bom se doer...

sábado, 24 de outubro de 2009

Altruísmo, Caridade e Esmola com o próprio chapéu

Noticia o Tagesspiel de Berlin que um grupo de ricos, capiteneados por um médico alemão, resolveu fazer uma petição, a ser entregue para o Parlamento, no sentido de se criar um tributo sobre aqueles que tiverem mais de 500 mil euros em patrimônio. Segundo o autor da petição, (míseros) 5% sobre o patrimônio dos mais ricos poderia gerar uma receita extra para o Estado alemão que cobriria os buracos no orçamento. Segundo os dados do jornal, a Alemanha conta com mais de dois milhões e duzentas mil pessoas que se encaixariam no perfil e seriam tributadas, caso o novo tributo venha a ser criado e cobrado.

Até agora a petição tem (que surpresa!) 44 das possíveis 2,2 milhões de assinaturas. A pequena quantidade é nada mais do que óbvia. Um país cujo sistema tributário já é caótico, onde a tributação apenas pelo imposto de renda pode chegar – na faixa mais elevada - a 45% e cujos serviços públicos vão, paulatinamente, piorando de qualidade não tem grandes chances de emplacar um novo tributo sobre a propriedade dos ricos.

Fala-se, com estardalhaço, da “justiça social” desse tributo. Se os mais ricos têm mais patrimônio, logo devem pagar mais impostos. A afirmação é, em parte, verdadeira. Esquece-se, em grande medida, é que os ricos já pagam mais impostos do que os menos afortunados. Para cada euro em patrimônio, uma parte já é consumida por um tipo diferente de tributo. Obviamente que a idéia de se tributar os ricos não é nova. No Brasil, lembremos, houve a tentativa de se tributar as grandes fortunas. A previsão constitucional permanece lá (art. 153, VII CR/88). A lei complementar, mesmo em governos ditos de “esquerda” nunca foi aprovada. Roberto Campos , o maior liberal que o Brasil já teve, relata a sua tentativa de causar o menor mal possível, depois da apresentação de uma proposta quando ele ainda era senador. Para combater a “inevitável fuga das fortunas” ele apresentou emendas ao projeto de lei, criando um intrincadissimo sistema de deduções. Nas palavras do próprio (cito de cabeça, se estiver errado, peço perdão) “o capital é covarde como um cordeiro e veloz como uma lebre”.

De qualquer forma, as vantagens do um tal tributo não são tão claras. Com a mobilidade atual do patrimônio, há uma grande chance de que esses “ricos” com patrimônio simplesmente levem seus patrimônios a outras paragens, gerando ainda mais déficit para a economia local. Dentre tantos outros problemas, dois são os mais concretos: 1) um tributo dessa natureza desestimularia a poupança, mesmo em países como a Alemanha com forte tradição de poupadores, gerando efeitos negativos sobre o a capacidade de poupança e sua relação com o investimento e o desenvolvimento econômico e 2) o controle do que seria patrimônio acima de 500.000 euros seria extremamente complexo, com a necessidade de um considerável número de medidas para regulá-lo e fiscalizar a sua aplicação. O discurso contrário a um “imposto sobre o patrimonio dos ricos” obviamente soa antipático. Muito melhor é dizer “ricos paguem mais impostos!”. Nunca foi um dos meus objetivos ser simpático mesmo.

Mas, Pedrinho, como então se resolve o problema do orçamento alemão?! Com crescimento econômico, que gerará mais riqueza e, conseqüentemente, mais impostos serão arrecadados. Tributar os ricos é apenas a forma mais populista de aumentar (episodicamente) a arrecadação. Estranho, mesmo, é um dos ricos sugerindo a proposta. Será que ele quer aparecer? Querendo ou não aparecer, ele vai receber um e-mail meu. Se esse altruísmo todo for verdade, o meu orçamento no mês que vem será muito melhor!!!

(Na foto, o autor da proposta usando um charmoso [e caro!] cachecol vermelho: "Quem quer o me dinheiro?!, pergunta ele)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Nostradamus

Sei que ja esta batido falar mal da seguranca no Rio de Janeiro e as consequencias disso para as futuras Olimpiadas de 2016. No lugar disso vou fazer uma previsao. Sim, previsao. Ja podem juntar suas reservas e correr para as apostas. Dinheiro facil e garantido! Com 106,45% de certeza uma das medalhas olimpicas nas novas provas*- incluidas especialmente para o Rio 2016 - ira para um grupo de gauchos (atualmente ainda gauchinhos). Com certeza absoluta. * O nome da nova prova ainda esta para ser decidido pelo COI em conjunto com o COB. Dou a minha sugestao: "Aviao (ou Vapor) a distancia".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A felicidade

Sempre fui um sujeito que se contenta com pouco. Qualquer coisa me agrada. Os que me conhecem de verdade sabem que eu me divirto com qualquer piada de portugues e de papagaio. Pouquíssimo mesmo. O exemplo mais claro de felicidade instântanea veio hoje à noite. Depois de um dia, não como todos os outros, aceitei o convite de um amigo alemao e fui tomar uma cerveja. Ficamos em torno de uma hora e meia no bar, jogando conversa fora, como convem. Na saída do bar um dos alemães pergunta para o outro: "Onde tu estacionou?", usando um determinado verbo. O outro, imediatamente, e seguindo seus institntos germânicos, corrigiu o amigo afirmando - rispidamente - que ele havia usado o verbo errado. A partir de então não mais consegui segurar minha felicidade e um risinho de canto de boca. Os outros germânico-hablantes se intrometeram e uma pequena roda sobre a gramatica alema se iniciou. A discussao, de um lado, focava no fato de estacionar ser um verbo que exige o "sein" por se tratar de um movimento. Os outros afirmavam que estacionar nao se tratava de um movimento, mas de uma localizacao fixa do automovel, logo devendo o verbo "haben" ser o auxiliar. Assim ficamos por uns 5 minutos. Eu ouvindo a tudo, feliz da vida. Ainda tive a coragem de me intrometer para frisar que os verbos ficar (bleiben) e estar de pe (stehen) exigem o auxiliar "sein" mesmo nao se tratando de movimento. Excecoes, excecoes, gritaram os mais aflitos.
Na minha cabeca, apenas um pensamento dominava: como assim??? Sete alemães (sendo que destes, 4 sao germanistas, isto e, estudam a lingua alema) não conseguem chegar a conclusão se o verbo estacionar (parken, um óbvio anglicismo do verbo to park) deve ser usado em conjuntocom o auxiliar ser ou estar?! Que maravilha! Depois de resolvido que nao se chegaria a uma resposta correta, me despedi dos alemaes e, com aquele bom e velho risinho de satisfacao cortando a face, vim para casa, feliz, lesto e faceiro!

sábado, 17 de outubro de 2009

Cidade maravilhosa...

...cheia de encantos mil, cidade maravilhosa, coração do meu Brasil. Mesmo atrasado, gostaria de dar meus parabéns a todos os envolvidos na conquista do Rio como cidade sede das Olimpíadas de 2016. Especialmente esses caras aqui. Enquanto isso, no mundo real:

Guerra do tráfico mata 5, fere 8, queima ônibus e leva pânico a bairros do Rio.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Global Freezing

Seguindo conselho do bom e velho Noel Rosa, perguntei ao Weather Channel "com que roupa?" eu deveria sair de casa hoje, logo cedo, para ir para a academia. Qual nao foi a minha surpresa ao ver isso aqui:
O frio chegou, espero, para ficar! E o melhor de tudo e, claro, pior pro Al Gore e pro pessoal do IPCC, e´ que ainda faltam alguns dias para sairmos do horario de verao!
Trilha sonora, como parece claro, aqui.